Mais do que reduzir emissões, as mineradoras começam a avaliar a tecnologia por critérios diretamente ligados ao desempenho da operação: produtividade, disponibilidade, custo total de operação e capacidade de manter os equipamentos trabalhando.
Dados apresentados pela Sandvik durante o Future of Mining 2026 mostram como essa mudança começa a aparecer em aplicações reais.
Na mina de Malmberget, na Suécia, a LKAB registrou aumento médio superior a 20% na produtividade ajustada pela carga útil ao comparar o equipamento elétrico LH518iB com o Toro LH621i em diferentes rotas da operação.
Na mina Lamaque, no Canadá, a Eldorado Gold registrou ganho superior a 34% na produtividade ajustada pela carga útil com caminhões elétricos TH550B em comparação com modelos TH545i, considerando aproximadamente um ano e meio de operação.
O desafio vai além da bateria
Os resultados ajudam a mostrar o potencial da eletrificação, principalmente em operações subterrâneas onde ventilação, temperatura e circulação de equipamentos têm impacto direto no custo e na produtividade.
Veículos elétricos a bateria eliminam as emissões locais dos motores diesel e podem reduzir significativamente a geração de calor no ambiente subterrâneo. Isso pode diminuir a demanda sobre os sistemas de ventilação e refrigeração, especialmente em minas profundas ou com restrições de ventilação.
Mas a evolução da tecnologia também traz novos desafios para as equipes de manutenção.
Baterias, sistemas elétricos de alta potência, eletrônica embarcada, sistemas de gerenciamento de energia e novos componentes passam a fazer parte da rotina de equipamentos que precisam manter altos índices de disponibilidade.
Por isso, a discussão sobre eletrificação começa a se aproximar de uma questão já conhecida pela mineração: não basta o equipamento entregar desempenho. Ele precisa permanecer disponível.
Disponibilidade continua sendo decisiva
A própria evolução dos equipamentos elétricos demonstra que produtividade isolada não resolve a equação.
Custo inicial, disponibilidade de peças, treinamento das equipes, capacidade de diagnóstico, manutenção programada e suporte técnico continuam sendo fatores essenciais para determinar o custo total de operação.
A Sandvik reconheceu durante o evento que ainda existem oportunidades de evolução nesses pontos, incluindo redução de custos, maior disponibilidade de componentes e estruturação do suporte às operações durante a implantação e maturação das frotas elétricas.
Isso coloca manutenção e engenharia em uma posição ainda mais estratégica.
À medida que equipamentos eletrificados ganham espaço, cresce também a necessidade de conhecer o comportamento dos componentes ao longo de milhares de horas de operação, estabelecer novos ciclos de manutenção e desenvolver capacidade de resposta para evitar que uma falha se transforme em horas de equipamento parado.
Uma nova equação para a mineração subterrânea
A eletrificação, portanto, deixa de ser apenas uma discussão ambiental para entrar definitivamente na análise de desempenho dos ativos.
Produtividade, energia, ventilação, manutenção, peças, confiabilidade e disponibilidade passam a fazer parte da mesma equação.
Para empresas que operam equipamentos subterrâneos críticos, acompanhar essa transformação significa também preparar engenharia, manutenção e suprimentos para uma frota cada vez mais conectada, eletrificada e tecnicamente complexa.
Na mineração, novas tecnologias mudam os equipamentos. Mas a necessidade permanece a mesma: manter a operação em movimento.
Fonte: International Mining — Sandvik striving for Toro standard as part of new electrification strategy, publicado em 21 de setembro de 2026.







