A mineração mundial está entrando em uma nova fase.
Cobre, níquel, lítio, terras raras e outros minerais considerados críticos deixaram de ser apenas matérias-primas para ocupar uma posição estratégica nas cadeias de energia, mobilidade, tecnologia, defesa e indústria avançada.
E o Brasil começa a ganhar espaço nesse movimento.
O interesse internacional pelos recursos minerais brasileiros vem crescendo à medida que países e grandes grupos industriais procuram diversificar suas fontes de fornecimento. Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido, China e outros mercados já vêm discutindo com o Brasil não apenas o acesso aos minerais, mas também investimentos, tecnologia e desenvolvimento de novas cadeias produtivas.
Mas a oportunidade brasileira vai além de simplesmente aumentar a extração.
O desafio é agregar valor antes de exportar
Durante décadas, uma parcela importante da mineração brasileira esteve ligada à exportação de produtos minerais com menor nível de transformação.
No mercado de minerais críticos, existe a possibilidade de avançar alguns passos.
Beneficiamento, separação, processamento químico, produção de materiais intermediários e desenvolvimento de tecnologias associadas podem fazer com que uma parcela maior do valor gerado pela mineração permaneça no país.
Esse é um dos pontos centrais da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos aprovada pelo Congresso no início de setembro e encaminhada para sanção presidencial. A proposta prevê, entre outras medidas, R$ 2 bilhões para um fundo garantidor da atividade mineral e até R$ 5 bilhões em créditos fiscais ao longo de cinco anos para projetos de beneficiamento e industrialização no Brasil.
Na prática, a discussão muda de escala.
Não se trata apenas de abrir novas minas.
Trata-se de desenvolver plantas de processamento, infraestrutura, laboratórios, engenharia, tecnologia, equipamentos e capacidade industrial capazes de acompanhar uma cadeia mineral cada vez mais sofisticada.
Projetos começam a sair do papel
Alguns movimentos recentes mostram que essa transformação já começou.
Em Minas Gerais, a Viridis Mining avança com o Projeto Colossus, voltado às terras raras, com previsão de iniciar a produção comercial de carbonato misto em 2028. A empresa também trabalha em iniciativas envolvendo processamento e reciclagem de ímãs, além de uma parceria tecnológica em negociação com a Solvay para etapas consideradas críticas na separação de terras raras.
O BNDES também aprovou recentemente financiamento de R$ 77,5 milhões para um centro de pesquisa e processamento ligado ao projeto, reforçando a tentativa de desenvolver conhecimento e capacidade produtiva dentro do país.
Em Goiás, a operação Pela Ema, da Serra Verde, já produz terras raras magnéticas em escala comercial, colocando o Brasil em uma cadeia atualmente concentrada em poucos países.
São movimentos diferentes, mas apontam na mesma direção: transformar recurso mineral em capacidade produtiva.
Uma oportunidade que alcança toda a cadeia da mineração
Se novos projetos avançarem, o impacto não ficará restrito às empresas responsáveis pelas jazidas.
Uma mineração mais diversificada e industrializada demanda uma cadeia igualmente preparada.
Mais equipamentos em campo significam maior necessidade de componentes, engenharia, manutenção, serviços especializados, automação, inspeção, fabricação, recuperação de equipamentos e suporte técnico.
Novas plantas de beneficiamento ampliam também a demanda por britadores, peneiras, correias transportadoras, bombas, sistemas hidráulicos, estruturas, equipamentos de processamento e componentes sujeitos a desgaste intenso.
E quanto maior a complexidade dos processos, maior a importância da disponibilidade desses ativos.
É justamente aí que o crescimento dos minerais críticos pode produzir um efeito muito maior do que simplesmente aumentar os volumes extraídos.
Ele pode estimular uma nova geração de fornecedores, tecnologias e competências industriais ligadas à mineração brasileira.
Potencial geológico é apenas o começo
Ter recursos minerais relevantes é uma vantagem.
Transformá-los em projetos competitivos, processamento, tecnologia e indústria é outra história.
O Brasil agora tenta percorrer essa distância.
O interesse internacional existe. O capital começa a se movimentar. Projetos estão avançando e novas políticas procuram estimular o processamento dentro do território nacional. O próximo passo será criar condições para que esses investimentos ganhem escala sem perder competitividade.
Se conseguir fazer isso, o país poderá ocupar uma posição diferente na corrida global por minerais críticos.
Não apenas como fornecedor de recursos minerais, mas como uma das plataformas de mineração, processamento e tecnologia de uma cadeia que será cada vez mais importante para a economia mundial.
Com informações do mining.com.







